| O Impacto da Política Agrícola Comum 5PAC° para a França e para Portugal não é a mesma |
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O IMPACTO DA POLITICA AGRICOLA COMUM (PAC) PARA A FRANÇA E PORTUGAL NAO É A MESMAJornal de Negócios 08/10/2007, Manuel Caldeira Cabral Os elevados preços internacionais dos produtos agrícolas justificam e facilitam uma reforma profunda da Política Agrícola Comum. Portugal tem tudo a ganhar em reformar a PAC. A presidência portuguesa deve dar um impulso decisivo a este dossier.
E, em alguns casos, é quase tão elevado como o IVA que a factura apresenta.Este imposto implícito decorre de comprarmos os bens agrícolas mais caros devido às distorções impostas pela PAC. O caso dos cereais ilustra bem esta situação. Até 1986 os EUA forneciam mais de 50% das nossas necessidades de importação. Hoje o maior fornecedor é a França, com preços mais caros, apenas possíveis por haver protecção externa. Os cereais representam quase 15% das nossas importações agrícolas.Os consumidores mais pobres, com um maior peso das despesas centradas nos bens alimentares são os mais afectados por uma política que subsidia quem produz mais quantidade e beneficia assim os maiores produtores. Estes são, não só os mais ricos, mas também os que mais se afastam de uma agricultura ecológica. A PAC conseguiu promover uma agricultura quase tão agressiva para o ambiente como a indústria. Esta é uma situação que é importante mudar, levantando as ainda muito elevadas barreiras ao comércio que mantém os preços artificialmente altos no mercado europeu e reduzindo os gastos que consomem quase 40 por cento do orçamento comunitário. Os europeus devem reformar a PAC por esta ser injusta, cara, ineficiente e antiecológica. Portugal deveria surgir na primeira linha de defesa desta reforma por estas razões, mas também porque dentro da Europa é um dos países mais prejudicados por esta política. Os países que mais beneficiam com a PAC são os países com um grande volume de exportações para o espaço comunitário de produtos, como os cereais, em que a protecção externa é alta e os subsídios à garantia de preços na produção são generosos. Sendo um grande exportador agrícola, a França beneficia da garantia de preços elevados que a PAC proporciona. O caso de Portugal é o oposto. O país é principalmente um importador de bens alimentares da EU, predominando o efeito de perda dos consumidores, face aos limitados ganhos obtidos com as nossas exportações agrícolas, especializadas em produtos pouco ou nada subsidiados. Mas Portugal pode também vir a ser afectado por os recursos orçamentais absorvidos pela PAC limitarem o crescimento dos fundos estruturais. A reforma da PAC poderia limitar a perda destas transferências para Portugal depois de 2013.O país é ainda prejudicado de uma outra forma quase invisível. A liberalização do acesso aos mercados agrícolas europeus tornou-se num importante factor de bloqueio das negociações no seio da Organização Mundial de Comércio. Os países da América do Sul e África (liderados pelo Brasil e Argentina) exigem cedências neste campo como contrapartida da abertura dos seus mercados aos produtos manufacturados europeus.A manutenção das tarifas às importações agrícolas resulta em tarifas às exportações europeias. É um imposto invisível pago pelos exportadores. Imposto difícil de quantificar, mas que tem um custo real e limita a expansão das trocas.O empenho que o Governo português coloca no reforço das relações com África e a América do Sul tem de passar também pelo assumir de uma posição clara relativamente à abertura dos mercados agrícolas europeus. As restrições existentes são um dos factores que mais limita o desenvolvimento dos países destes continentes. A cimeira UE-África deverá realçar esta questão.A evolução recente das exportações portuguesas mostra que podemos beneficiar muito da abertura dos mercados extra-UE. Portugal tem visto as suas exportações crescer a um ritmo muito forte para estes mercados. As nossas empresas estão bem colocadas para aproveitar as oportunidades da eventual liberalização das trocas com África e com a América do Sul. A bloquear estas oportunidades a europeus e africanos está uma França cada vez mais isolada e dividida nesta questão. A situação actual, em que os preços dos bens agrícolas estão particularmente elevados, e em que se abrem possibilidades de expansão da actividade agrícola para a produção de energia, ajudam a suavizar os eventuais custos de ajustamento decorrentes da abertura e da diminuição de subsídios. Este é o momento para avançar em força com a revisão do dossier agrícola. Não esperando resultados imediatos, mas preparando o caminho para que se dêem importantes passos nas próximas presidências.
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